
Minha pele já não brilha mais como brilhava antigamente, nem mesmo a maquiagem que possivelmente cobririam minhas expressões cansadas e marcadas pelos profundos 70 anos... saudade.
Entre suspiros e olhares longínquos, apenas uma visão: redesenhar todos os passos, reverenciar os aplausos que ainda hoje insistem em me acordar de doces sonhos. Reescrever toda aquela história, aquela paixão... dançaria apenas mais uma vez.
E mesmo hoje, repousando o olhar sobre o espelho, eu sei: as expressões e pensamentos ficarão sempre inclinados para meu bem guardado par de sapatilhas.
Vivacidade, são os exemplos que ficam, hoje anceio.
Nem sempre vivi meu conto de fadas, muito menos esplêndidas noites de glória, mas eu fiz uma opção ao enclinar-me aos meus desejos: ser o que queria ser, independente do que os outros achavam ou falavam: eu vivi e representei o papel único de ser autêntica.
Inúmeras vezes paguei um preço alto demais, mesmo assim, houve um saldo muito mais positivo do que negativo.
A memória que aos poucos se apaga, dá lugar aos sabores que me permito descobrir, uma outra existência querida.
Nem sempre consigo expressar o que se passa na minha vida e mesmo sendo uma mulher com incontáveis olhares e trejeitos, me permito calar e deixar por hoje que você tente ao menos compreender o meu silêncio.